EDGE (finalmente!) chega ao Brasil

Sei que é meu concorrente, mas não posso deixar de reconhecer o mérito da Editora Europa em licenciar a EDGE para o mercado brasileiro de games. Mais ainda, em produzir, sob um nome tão forte, matérias voltadas ao mercado nacional, feita pela equipe daqui. Não vou dar muitos detalhes – o Petró, editor da Gamemaster e que vai assumir a EDGE junto de Fábio Santana, deu uma entrevista ao Gamer.br, do grão-mestre Pablo Miyazawa, então você pode conferir maiores informações com ele.

Mas devo dizer que fiquei interessado: a promoção de lançamento para assinatura da revista é de 67% de desconto. De quase R$ 130,00, uma assinatura anual vai ficar por menos de R$60,00 – e para quem é mais mão-de-vaca, esses sessentinhas são parceláveis. Clique aqui pra confirmar, se você duvida de mim (descarado filho de uma vaca).

É a segunda revista da Editora Europa que me desperta vontade de assinar (a outra é a www.com.br, do Mário Fittipaldi). Vou ver isso com mais atenção…

Capa (provisória) da versão brasileira da EDGE

Capa (provisória) da versão brasileira da EDGE

Como fazer um review

É óbvio dizer, mas meu ganha-pão me confere algumas regalias: uma das que mais gosto é a possibilidade de testar, com certa antecedência, a esmagadora maioria dos jogos que todo mundo quer (ou não quer…), e também aqueles que poucos ouviram falar. Independente de qual título seja, tento ser o mais justo possível em uma análise, sem mentir nem omitir nada – se é ruim, educadamente aponto os defeitos e o que poderia ter sido feito para que eles não acontecessem (ao invés de escrachar e chutar o pau da barraca como muitos por aí). Se for bom, direi o motivo dele ser bom, se poderia ser melhor ou não, e darei os merecidos parabéns.

A coisa que mais odeio em um review é ver o quanto a minha indústria, o jornalismo de games, peca muito na parte do “jornalismo”. E não falo das publicações brasileiras: acredito com fervor que somos exemplos de imparcialidade e justiça. Falo de reviews como aqueles feitos por portais como IGN, Gamespot e afins (que me desculpem os puristas, mas sempre defendi que os bois recebessem os devidos nomes). A razão de mencionar especificamente esses sites não é infundada: quando comecei, minhas análises sempre tinham fundamentos referenciados neles – coisa de jornalista: veja o que outros dizem sobre o produto que você está, e fundamente sua opinião argumentado ou contra-argumentando os…argumentos…de outros, formando a sua própria opinião.

Depois de uns bons meses, a frequência com que passei a utilizar referências desses sites diminuiu drasticamente, chegando ao ponto de eu apenas olhar a nota que eles aplicaram e ler alguma coisa apenas quando consta uma seção “O Bom / O Ruim”: digo isso porque os padrões de análise deles vêm dando “privilégios” a jogos que possuem enorme hype, ao passo que outros títulos de menor publicidade sempre, sempre recebem notas desfavoráveis (o que nem sempre é sinônimo de ruim). Exemplo: Watchmen: The End Is Nigh é, a grosso modo, um Streets of Rage em versão HD, com os personagens e a história inspirados pela obra de Alan Moore. O IGN deu 5,5: concordo com o fato do jogo ser óbvio demais, e na maioria dos níveis, fácil demais. Mas 5,5? Eu fui incumbido de fazer a análise desse mesmo jogo para a EGM Brasil e para o MSN Jogos: não vou dizer minha nota, mas garanto que foi mais que 5,5. Por que? Porque The End Is Nigh merece! Os gráficos estão ótimos, a trilha sonora está ótima, a jogabilidade está ótima, e o enredo oferece um pouco de interesse no restante da obra. Infelizmente, o MSN não me permite um sistema de notas tão aberto, então fui obrigado a botar na balança, e sim, ele perdeu mais pontos do que deveria. Se quiser, pode conferir a análise clicando aqui.

Outro exemplo: Lucas Patrício me disse que o IGN deu 8,0 para Star Ocean: The Last Hope. Não joguei, então não comentarei a nota. O que me deixou coçando a testa foram os pontos negativos enunciados pelo site – o fato dele ter apenas 20 save slots (normalmente, eu nunca uso mais de um – três, quando o jogo pede um planejamento maior…será que eles nunca ouviram falar em “OVERWRITE”?), além dele ser um “J-RPG¹ muito clássico, por ter dungeons muito grandes e seguir elementos característicos desse gênero, como um personagem ficar verde sob o status de ‘envenenado’ ou um relógio representar visualmente a magia Slow“. Recado àqueles carentes de inovação: ISSO TEM QUE ESTAR PRESENTE EM QUALQUER RPG!!! Acha que faltou ação em Star Ocean? Volte um geração e jogue God of War no seu PlayStation 2. Um RPG que se preze tem que ter longas horas de partida, muitas coisas opcionais para se fazer, tesouros a serem encontrados dentro do próprio mapa, com exploração em tempo real. Faz parte do gênero, e estraga se faltar alguma dessas coisas…

O que estou tentando dizer é que a falta de análise consciente não é problema tupiniquim: como disse, acredito que somos proeminência nesse quesito (menos a VEJA!). Os gringos, penso eu, fazem análises ridículas, e pior, vendidas. Para conhecimento: Kane & Lynch é um jogo fraquinho, um título de ação genérico, que sofre com a falta de elementos inovadores, que realmente apareçam na tela e possa chocar o usuário. Jeff Gerstmann, um dos editores do Gamespot, foi demitido por falar a verdade do jogo da Eidos, a mesma empresa que produz a sensacional, porém atualmente decadente, franquia Tomb Raidero review controverso pode ser lido aqui. Outro caso interessante: Dan “Shoe” Hsu, ex-editor da EGM norte-americana, publicou um editorial em alguma edição da revista, que foi re-publicado em algum link que não ainda achei, mas que mostrava a declaração de uma produtora não-nomeada, dizendo que “sim, nós conseguimos tirar um 10 quase sempre. Basta fecharmos um pacote de publicidade com eles e nossos jogos ganham propaganda favorável sempre que necessário”.

Falar mal faz parte, e defendo a liberdade de opinião, e a produção de um texto livre de qualquer influência ou capitania de grandes produtoras: não gosto, não faço, não quero. Desaprovo isso tanto quanto a pirataria. Mas a ética pede que façamos isso com educação: funciona tão bem quanto vender jabá.

Muita gente me perguntou se favoreci Taikodom pelo fato dele ser brasileiro e tudo o mais, e a resposta é não: acho Taikodom um jogo bom, nada mais, nada menos. É bom. Pronto, fim de papo. Por isso que dei 7,0 quando analisei-o na edição 83 da EGM Brasil. Se fosse melhor, daria mais, claro, mas para um jogo que ficou quase 7 anos em desenvovimento, o visual tinha que ser top do top, coisa que ficou faltando e tirou pontos. A Hoplon fez um jogo bom, e nada mais. Como disse na chamada do review: “Não é World of Warcraft“, mas também, quem é que esperava isso de Taikodom?

Que se dane a pressão de produtoras, que se dane a publicidade da sua editora e seus “business”: uma revista, ou site, que seja, só vai adquirir credibilidade e ser levado a sério se tiver opinião forte, mas justa. Todos os portais que citei aqui possuem muita, mas muita grana, e as campanhas de publicidade mais legais que eu já vi em toda a internet são feitas lá – sobretudo IGN e seus banners 3D interativos, mas não adianta ter bala na agulha se você não sabe atirar: se ninguém confia nas suas palavras, de que vale seu trabalho?

¹: J-RPG é o RPG natural do Japão

Momento do jabá próprio

Pensando bem, acho que nunca fiz uma propaganda tão “esfregada na cara” quanto essa. Não que isso vá fazer alguma diferença, afinal esse não é o blog mais acessado da web (essa honraria deve pertencer a algum espaço iinternético de putaria gratuita, ou então o Mininova), mas ainda assim, alguém vai ver isso de algum lugar, em alguma ocasião completamente esdrúxula e recheada da mais completa…falta do que fazer. Segue:

MSN Jogos
Posição de editor-chefe. Notícias, prévias, análises, artigos…tudo o que se espera de uma autêntica publicação voltada ao universo gamer global. Quer ver? Clique aqui, ó!

Blog PC Power
A mais nova empreitada da minha editora, com fortes intenções e ambições de se tornar um produto altamente referencial (e vai…quer apostar???). É exatamente como o MSN Jogos, mas restringido apenas ao público de jogadores de PC. Ocupo a posição que gosto de chamar de “alimentador de conteúdo”. Veja a porra do blog aqui. 

Revistas EGM Brasil e Nintendo World
Esses acabaram virando, contra a minha vontade, veículos 
mais rotineiros. Não por trabalhar direto neles, o que não rola, mas sim pelo que eu faço neles. Outrora editor de previews da EGM Brasil, agora cuido de algumas análises de jogos. Na Nintendo é a mesma coisa. Você pode conferir um pouco do material delas aqui e aqui. Material todo? Vai comprar a revista!

Revista e site PC Magazine
Já fui editor do site da PC Magazine pelo longo período de dois meses e uns quebrados. E acredite: para mim, isso foi longo pacas. Agora, a maioria dos posts do PC Power geram alguma chamada no site oficial da Revista, além de eu ter uma página inteira na própria revista. Tudo englobando o mercado de PC, mas puxado para a vertente mais gamer da coisa. Veja mais aqui, aqui, e aqui. Ok, são todos o mesmo link e eu fui cara de pau nessa…

Separem o joio do trigo. Dá pra ser???

Estava passeando pelos blogs da casa, mais precisamente o do meu chefe, e lendo o post que encabeçava a lista de textos, não pude deixar de raciocinar em cima do que os 20 anos de jornalismo nas costas do Forasta mandam ele escrever: o Brasil se tornou um país de puta paga.

Que me perdoem os mais puristas, antes de tudo: quando digo “puta paga”, não falo simplesmente de dinheiro (nunca se sabe…às vezes é bom explicar). Acho impressionante como em pleno século 21, na era das HDTVs e internet banda larga, ainda vivemos na vã filosofia do Panis Et Circensis - dá qualquer esmola e o Brasil abre as pernas.

O exemplo citado pelo Forasta, como podem ver aqui, caso tenham interesse, é o filme Watchmen, que sai nas telonas em 06 de maio (se não me engano), cujos convites para “conferir em primeira mão minutos inéditos da película” foram distribuídos (até eu recebi, mesmo sem estar no mailing de qualquer ramo de cinema).

Acho engraçado como o povo fala “Caralho, que foda! Meu Deus, esse vai arrebentar!” - me perdoa, Rodolfo. Admito estar tão ansioso quanto para ver o filme, mas será que não estamos tentando pular à distâncias mais longas que as nossas pernas? É uma puta produção, é um puta partidão para filme do ano, mas nunca se sabe – Caso gamer: gozei litros pela demo de Mirror’s Edge, mas o jogo completo exibiu mais defeitos que qualidades.

Essa mania de brasileiro de se contentar com pouco às vezes me mata. É um tal de “se geral acha bom, é porque é” que vela os olhos mais críticos em relação a qualquer defeitinho, por menor que seja, e ofende quando tais malefícios são esfregados na nossa cara.

FIFA 2009 é infinitamente melhor que Pro Evolution Soccer 2009 - duvida? Vai perguntar pra Konami! Foram eles quem admitiram que seu jogo tinha sido derrotado pelo da rival Electronic Arts. E as análises do mundo inteiro confirmam isso. Mas no Brasil, tantas mães foram ofendidas que dá até medo de tocar nesse assunto.

Fã é fã, jornalista é jornalista. O Forasta, ao dizer isso, não quer dizer que somos todos robôs desprovidos de emoção e capacidade de apreciação. O que ele quer dizer é que, quando estamos analisando alguma coisa, temos que expor tudo o que encontramos nela, bom ou ruim. Não dá para ser imparcial – ou o negócio é uma merda, ou não é.

De fato, falta gente pra falar mal no Brasil.