Título na foto…

Palavras como “vergonhoso” e “inadmissível” vêm à cabeça de qualquer pessoa quando um determinado fato acontece, e causa repulsa àqueles que tomam conhecimento de sua existência.
Comigo não foi diferente.
Na edição 478 da revista Carta Capital, da semana de 11 de janeiro, o jornalista Paolo Manzo assinou matéria que continha declarações do promotor Marcelo Mendroni, dizendo que teria enviado ao jogador Kaká, do Milan, uma série de perguntas, ainda não respondidas, sobre sua relação com a Igreja Renascer, de propriedade de Estevam Hernandes Filho e Sonia Haddad Moraes Fernandes, ambos presos nos Estados Unidos, cumprindo 10 meses de pena por terem entrado em território norte-americano com US$ 56 mil irregulares.
A reportagem indicava que Kaká pagaria um suposto dízimo à Igreja, girando em torno dos R$ 2 milhões, e que sua sogra, Rosângela Lyra, não via com bons olhos a 
conversão da filha Caroline à Renascer.

Se me perguntarem, essa disposição da revista foi ridícula. É claro que, se existe tal suspeita, o jogador deveria mesmo ser questionado por relações não explicadas, sobretudo aquelas em que existe enorme soma de dinheiro aplicado. Não seria nada estranho para mim se isso fosse verdade, afinal Kaká ganha algo perto dos R$ 45 mil/dia. Façam a matemática e virem os olhos ao contemplar os números correspondentes à conta do jogador no fim de 365 dias. Isso tudo sem falar nas aparições públicas, jogos amistosos e eventos beneficentes.
Kaká é, além de ótimo jogador, e merecedor do título de melhor do mundo com distante vitória em qualquer eleição, um adepto fervoroso da Igreja. É de se esperar que ele tome participação nos tais dízimos.

O problema é que a revista deu pauta à reportagem sem ouvir todos os lados da história. Kaká não foi questionado pela revista. Sua sogra, Rosângela, não foi questionada. Nem mesmo a Igreja Renascer foi questionada.
O jornalista Paolo Manzo fez a matéria baseado nas declarações de um promotor. Não deixa de ser válido, é claro. Ele (o jornalista) ainda diz ter posse da petição enviada por esse promotor à Kaká, pedindo para que o jogador prestasse contas.

Isso foi tudo.

Fatos interessantes, se não importantes, foram ignorados. Rosângela vê com ressalvas a conversão de sua filha à Renascer. Realmente, a relação das duas não é das mais amistosas quando se trata de religião. A filha já discutiu com a mãe ao exigir a retirada de uma imagem de Nossa Senhora do carro. Mas jamais a revista poderia ter feito com que esse fato recaísse como responsabilidade sobre o ombros do atacante do Milan, mas ainda assim o fez.
A razão disso é a mais simples possível: Kaká e sua atual esposa, Caroline, se conheceram na igreja, ou seja, quando eles casaram, ela já estava convertida.

São pequenas ressalvas que a Carta Capital deveria ter apurado. Caso isso fosse feito de verdade, a redação da revista não estaria até agora recebendo ameaças de processo das assessorias da Igreja e do próprio Kaká, sem mencionar o fato de que a sogra do jogador não reconhece a veracidade das declarações apontadas como dela.

Não sou adepto da Renascer, e acho que 10 meses é castigo brando para seus “donos”. Reconheço o talento massivo de Kaká com a bola, e tremo de pensar se um dia ele volta pro São Paulo. O meu Corinthians teria mais uma pedreira se isso acontecesse.

Acima de tudo isso, amo Jornalismo mais do que muita coisa. Por isso eu o estudo na faculdade. E como aprendiz em uma área que forma opiniões, eu tenho meus ídolos. Mino Carta, o nome por trás da Carta Capital, é um deles. Da mesma forma que, como torcedor, me machucou ver meu time ser rebaixado, também me fere ver que uma das figuras das quais eu tiro inspiração pra muita coisa deixar passar esses pequenos deslizes.

Dessa forma, a Carta acaba se tornando exatamente igual à principal (e odiada) concorrente, a Veja!.
Afinal, aonde foi parar a imparcialidade já famosa de Mino Carta e equipe? Sempre serei leitor da Carta, e isso dificilmente mudará, mas agora, sempre haverá aquela vaga lembrança de que Carta e Veja! foram, ainda que por uma breve semana, iguais.

Pena…

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