O maligno final de ano

O mercado mundial de games é conhecido por ter muitos padrões. Um deles é o que aprendi a chamar, por causa do mestre Fábio Santana, de “Mal de Final de Ano”. Explico: é praxe no mercado ocidental (leia Estados Unidos) usar essa época para botar nas lojas os lançamentos mais parrudos de cada produtora. Tal processo, naturalmente, intenta alavancar as vendas de cada produto por causa da corrida dos gastos natalinos e de virada de ano. Nada mais lógico: as compras de Natal iniciam-se com uma sexta-feira chamada “Black Friday”, que vem logo depois do Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day)  – é meio que um anúncio: “corre pra loja pra pegar o seu jogo”.

O problema, para muitos desses lançamentos, é o fato de haver tanta opção, tanta coisa para se escolher, que o gamer que tem grana em mãos acaba se tornando seletivo demais, e bons títulos acabam ficando relegados à posição de apoio – vide Valkyria Chronicles, do PS3. Um excelente RPG da SEGA que foi lançado em novembro de 2008, e por causa de estrelas maiores, como Guitar Hero World Tour e Gears of War 2. Não é para menos que uma opção desconhecida – e exclusiva para PlayStation 3 – vendeu menos de cinquenta mil unidades ao longo de todo aquele mês.

Ainda bem que algumas produtoras gigantescas estão acordando e tentando abrir novos horizontes nessa conturbada realidade. Tome como exemplo a Capcom, que aproveitou os louros da vitória lançando Street Fighter IV e Resident Evil 5 nos calmos meses de fevereiro e março. Indo mais longe, temos Killzone 2, que vendeu horrores em fevereiro.

Ventos de mudança estão no ar: se pararmos para analisar o histórico, perceberemos que os lançamentos campeões foram, em sua maioria, comercializados em épocas não-comerciais como o início do ano. A franquia Devil May Cry teve as vendas de suas quatro edições vendidas entre janeiro e fevereiro. Os dois God of War foram vendidos na primeira metade dos anos de seus respectivos lançamentos, e o terceiro está previsto para, vejam só, o início de 2010.

Em parte, o alvoroço de fim de ano é bom: quem não quer passar os últimos dias do ano que está quase virando a esquina com um jogaço na mão? Entrar em janeiro trilhando a segunda metade daquele jogo ultra-hypado é desejo comum de muitos gamers, principalmente os brasileiros. Mas os altos padrões de análise que a época do ano insitui nas nossas cabeças faz com que prestemos atenção apenas naqueles mais divulgados, e jogos maravilhosos acabam se perdendo no meio da bagunça.

Pessoalmente, prefiro que os lançamentos sejam planejados de forma aleatória, ou então que reagrupem os anos fiscais das empresas. As vendas aumentariam bastante em todos os setores, e fariam até mesmo um chato como eu acreditar que a crise não afetou o mundo dos games.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s