Da Sony, do Linux e de um panaca chamado George Hotz

Deu ontem à noite (e hoje no EGW): a Sony lançará no dia 1º de abril uma nova firmware – a de número 3.21 – que não adicionará nada ao PlayStation 3. Na verdade, a atualização de sistema removerá o recurso Install Other OS (“Instalar outro sistema operacional”, no bom português). O motivo, segundo a própria Sony, seria “por questões de segurança”.

“Segurança” essa que eu também soltei lá no EGW: George Hotz – vulgo GeoHot – instalou o Linux em seu PlayStation 3 e, hacker bom que é, descobriu um ou outro buraco pelo qual um usuário poderia, eventualmente, rodar softwares não sancionados pela Sony Computer Entertainment. Para quem não sabe, GeoHot é a razão pela qual eu tenho um iPhone desde junho de 2008: foi ele quem descobriu primeiro as falhas de segurança da Apple e conseguiu abrir espaço para a instalação de firmwares customizadas no portátil.

O anúncio da Sony, como a maioria de suas novidades, foi um divisor de águas: metade dos usuários de PlayStation 3 culpam o hacker pela atitude da Sony, dizendo que por causa dele a empresa foi obrigada a tirar um recurso de seu console. Outros, mais adeptos à programação (os chamados code junkies), atacaram furiosamente a empresa por remover uma função sistemática pela qual o consumidor havia pago.

Já eu, pela primeira vez desde que consigo me lembrar, fiquei em cima do muro: ao passo que, sim, paguei para ter um recurso como esse no meu PlayStation 3 e não me agrada vê-lo arrancado de mim à força (não pelo sistema operacional em si, mais pelo medo do que possa vir no futuro do PS3), também nada me agrada ver um moleque com espinhas tentar circular a segurança de um console, por mais que ele jure jamais usar isso para a pirataria propriamente dita.

Devo lembrar ao leitor que, ao contrário da crença popular, você paga pelo uso do console em si – e não pela permanência de seus recursos. O sistema Xcross Media Bar é uma posse da Sony, e não se limita apenas ao PlayStation 3. Está lá, nos termos de contrato que você com certeza aceita sem ler: qualquer mau uso da sistemática do console poderá resultar na remoção de determinadas funcionalidades do aparelho. Você aceitou isso, você tem que abaixar a cabeça.

Mais: o PS3 Slim não conta com essa função, o que leva a entender que estamos falando de algo que a Sony já planejava.

GeoHot está implorando aos seus leitores para não atualizarem a firmware. Que esperem até que ele faça uma versão personalizada, como fez com o iPhone. Sinceramente, duvido que ele consiga – e se conseguir, é bem capaz de ativar outro gatilho que a Sony pode implementar para engessar suas atitudes. Ao contrário da Apple, a Sony já espera que hackers e crackers tentem atacar seu sistema até o momento impenetrável, logo, o jovem programador não pegou a empresa desprevenida.

E outra: convenhamos, quem aqui usa o PS3 com Linux? A interface do pinguinzinho é tão feínha…a XMB é tão invocada…bonitona…

[ANTES QUE me ataquem citando meu iPhone desbloqueado: o Jailbreak é completamente diferente. Falarei mais disso no próximo post]

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