Você já mentiu sobre seus gostos?

Festa. Situação amável, com música, bebida e amigos. Também nesse ambiente temos novas pessoas, que podem se tornar novos amigos e…enfim…em uma dessas ocasiões, por uma razão ou outra, eu me vi envolto por pessoas às quais nunca fui antes apresentado. Não querendo ser o bocó caladão do grupo (e cara de pau como eu sei que sou) tratei logo de me enturmar e, sem muita demora, tais pessoas começaram a questionar-me sobre minha vida profissional.

“Konami? Hmmm…não conheço,  não. É o quê?” – me disse um rapaz cujo rosto eu realmente não me lembro.

“Video games. Manja? PlayStation, Xbox…curte futebol? Já jogou ‘Winning Eleven'”? – eu disse.

“AAAAAAAAAAHHHHH agora eu sei qual é! Desculpa, eu conheço pouco disso aí, mas comprei um Wii para a minha filha e vivo jogando com ela. Gosto daqueles jogos mais ‘de festa’, sabe?”

Foi exatamente nesse momento em que o grupo inteiro começou a falar de jogos festivos, sobre como eles são divertidos, bobos, coloridos e mais um sem-número de adjetivos que não me cabe citar: Wii Sports era unânime (provavelmente por ele vir junto com o console, no momento em que você compra), mas os clássicos “Mario-nome-do-esporte” (Mario Tennis, Mario Kart, “Aquele do Mario com o bicho azul) também figuraram nos exemplos.

Foi então que veio a inevitável pergunta, a qual eu ingenuamente torcia para que não me fizessem: “E você, Rafa? Curte jogos festivos?”

Chilique interno chegando: eu não queria ser o cara que responderia a esta pergunta com um sonoro “nem fodendo”, inevitavelmente tendo que explicar que “prefiro coisa mais trabalhada, mais estratégica, tipo Final Fantasy, Metal Gear Solid, Splinter Cell, The Darkness…já jogaram Darkness? É baseado na série de quadrinhos que era feita pela TopCow…já ouviram falar? Não? Sério? Bom, enfim…em Darkness, você é um gangster da máfia italiana moderna que está sendo caçado pelos seus próprios camaradas. A pegada do jogo é bem soturna, obscura…e você tem esses poderes demoníacos por causa de uma entidade infernal que vive dentro de você e se manifesta através de cobras negras, com olhos bem vermelhos….dá até para você arrancar os corações dos inimigos que você abate com tiros, sabe? Ah, tem um novo desse chegando aí…”

É, definitivamente, eu não quero ser essa pessoa.

Especialmente porque tenho ciência de que nem todo mundo conhece esse ramo do jeito que eu conheço. Mais além, nem todo mundo gosta desse segmento da mesma forma que eu (convenhamos, eu ganho a vida com isso). Em resumo, cada pessoa ali tinha o direito de gostar desses jogos festivos, independente da minha posição quanto a eles. Então, eu respirei fundo, mandei mais uma(s) para dentro e menti. Eu sei também que perdi uma oportunidade de ouro de falar em detalhes sobre como funciona o mercado de jogos eletrônicos, quais jogos vendem mais, quais jogos vendem menos, o público-alvo de cada jogo….enfim, dar o insight do ramo e “evangelizar” novos jogadores.

Mas, convenhamos, era uma festa, né?

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