“Deixa de ser babaca, Carlos Nascimento” (ou “A caretice nem sempre nos favorece”)

Eu costumo respeitar o jornalismo opinativo. Tem algo nele que destoa dos demais formatos, justamente por mostrar que o repórter, antes de ser o veículo de informação das massas, é humano e tem predileções e vontades. Daí a razão para eu, costumeiramente porém não exclusivamente, dar preferência ao Jornal do SBT. O âncora Carlos Nascimento quase sempre exibe comentários pertinentes em relação aos temas do dia.

Quase…

Na edição de ontem do noticiário noturno, Carlos Nascimento criticou o mais recente meme da internet brazuca: o “…menos Luiza, que está no Canadá” tomou a twittosfera dessa última metade de semana por causa de um comercial de um empreendimento imobiliário veiculado pelo seu pai. Claro, frases condicionais que nomeavam presenças em lugares eram finalizadas com a locução acima, dando a tudo tom de piada.


Qual é o problema com esse papo? Bom, ele é hipócrita, pra dizer bem a verdade. Ele quis fazer uma alusão aos problemas políticos do país – sobretudo a corrupção, que tira dinheiro de investimentos na saúde pública, educação etc. – em vista da atenção obtida pelo meme da Luiza. Mas o erro do àncora reside no fato de que um não tem absolutamente nada a ver com o outro.

Os memes – à semelhança de qualquer outra piada no mundo – existem justamente para que possamos dar vazão e escapar de tanta maracutaia política e outras agruras da vida. Em outras palavras, eles existem pela única razão de nos fazer rir em um mundo onde o que mais se faz é chorar. Criticar a atenção de um meme – originado na internet e para a internet – é babaquice da maior marca. Ser careta nem sempre é uma qualidade, Carlão!

Faça um exercício da imaginação: e se o meme tivesse sua origem em alguma pérola proferida pelo Seu Madruga  (“Seu Madruga, me dá um churros” vem à mente, não?), CN diria a mesma coisa? Pois é: hipócrita. Não há problema nenhum em querer esmiuçar uma temática nem se posicionar contrário à ela, mas é um problema sério você colocar a inteligência do brasileiro – seu telespectador – em xeque simplesmente porque ele prefere rir de uma piada do que reclamar da política nacional. É o mesmo que criticar quem vai ao cinema para rir de uma comédia.

Fazer graça é uma válvula de escape para as pessoas, justamente para que elas não fiquem o tempo todo pensando nesses problemas. Ninguém passa pela vida sem tirar sarro. Carlos Nascimento, mesmo com todo o seu currículo e experiência, ainda não entendeu isso. Acho que esse imagem, que pesquei no blog da Tchulimtchulim, representa bem o que qualquer pessoa com dois neurônios funcionais pensam disso.

Anúncios

2 comentários

    • Acredito que não, Marinha. Embora concorde com você que é de fato necessário discutir-se os problemas do país, existem âmbitos cabíveis. No exemplo do Jornal do SBT, simplesmente não havia janela para o comentário do Nascimento: ele quis aliar duas coisas que são completamente afastadas uma da outra. Não tem porque estabelecer uma relação da Luiza (que agora voltou do Canadá! Rá!) com desvios de verba, analfabetismo, desemprego e afins. Existe o momento – e, no caso dele, a editoria – certos para isso.

      Valeu pelo comentário 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s