Por um mundo com leitores mais idiotas

Hipocrisia da minha parte criticar comentaristas de textos online, já que este meu breve espaço textual também faz uso de um formulário de interação que eu quero que você use, caralho para que você possa conversar comigo, vira e mexe. Mas, mesmo diante dessa situação irônica, eu não posso deixar de compartilhar contigo: comentários de postagens não valem o pão que comem!

Ok, ok…vou tentar ser justo e não generalizar: comentaristas de blogs mandam muito bem em elucidar um tema e debatê-lo – concordando ou não – com o autor de um texto. Justamente por um blog ser algo mais focado, mais preciso dentro de um único assunto, quem interage é geralmente uma pessoa interessada, o que por sua vez gera uma conversa absurdamente agradável, bem “mesa de bar” mesmo.

Agora, grandes portais tem uma desvantagem, mais uma vez, irônica: é tanta gente acessando que muitas pessoas acabam caindo de pára-quedas nua situação retratada em um texto. Como evangélicos ferrenhos falando sobre como a violência do MMA vai levar os lutadores e todos os seus fãs ao inferno, ou então um artigo “Top 10 Facebook Fails” levando alguém a montar uma teoria da conspiração improvisada ao comparar uma coisa que te deve fazer rir com os problemas que só te fazem chorar – e nós já vimos que fim isso pode levar, não?

Me lembro, certa vez, de ver um tweet de uma pessoa relativamente famosa na rede (acho que era o @cardoso, mas posso estar errado), rechaçando um destes comentários: estávamos na época onde algumas favelas do Rio estavam sendo incendiadas (ou era aqui em Sampa…posso estar errado). Uma pessoa foi lá e mandou a pérola: “engraçado como nenhum desses incêndios fica em áreas de periferia…interessante para alguns” – uma mensagem subliminar fracassada, pois qualquer zé-ruela com um olho estrábico enxerga sua pequena alfinetada na política brasileira e nos esquemas urbanos de segurança. O Cardoso foi enfático ao printar uma busca que ele fez no Google, onde as três ou quatro primeiras ocorrências da busca eram, veja só, incêndios em zonas periféricas de favelas.

Isso só atesta a discrepância entre uma pessoa inteligente, ou minimamente interessada, e uma pessoa que aconteceu de clicar em um link de um assunto cuja compreensão devida lhe foge completamente. Aqui no Arbuladas, temos bastante do primeiro exemplo: a Marinha Luiza, do Wear Sunglasses, falou bem no meu texto sobre a cabeçada do Carlos Nascimento, assim como o meu amigo Vinicius Lima, repórter no blog oficial do PlayStation, no texto da pedrada na cara do Pe Lanza, vocalista do Restart. Esses são só dois que sabem exibir opiniões sem fugir do assunto nem montar teorias sensacionalistas de conspiração.

Em outras palavras: sim, nós sabemos que o Brasil é um país de merda. Sim, nós sentimos vergonha de ver as falcatruas políticas que são cometidas por gente que a gente botou lá em cima. Sim, eu tenho vergonha de saber que, no meu país, os deputados com planos mais coerentes são (gasp!) Tiririca e Romário – o primeiro, um palhaço de circo que respondeu “não sei” para metade dos questionamentos do SEU PRÓPRIO plano de governo; o segundo, um ex-jogador frustrado que já foi em cana por não pagar pensão. Me pergunto se Clodovil seria um destaque na Câmara, estivesse ele vivo.

A questão aqui é: deixa a desgraça para a notícia de desgraça. Se você é uma pessoa triste que não consegue escapar de tantos problemas sócio-políticos por dois minutos e ler um texto cujo mote é só a retratação de um fato ou uma piadinha editorial, pelo amor de Deus, mate-se. Você é de uma letargia que contamina até mesmo o mais otimista dos otimistas com sua aura negra de pessimismo. Se eu abrir o Planeta Bizarro do G1, eu quero mais é ver babaquice inusitada – e não as coisas que todos estamos carecas de saber. Concluindo de forma bem resumida: seja mais panaca consigo mesmo.

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