Os funkeiros estavam certos, afinal…

Eu moro na zona leste de São Paulo. Isso, sozinho, significa que tenho que lidar com o funk em uma base cotidiana. Diabos, meu irmão caçula já curtiu muito isso e hoje envereda-se pelas vias do pagode e do samba. Sem querer estereotipar nada nem ninguém, mas é um fato que a maior incidência de funkeiros por metro quadrado reside por estas ermas bandas.

E como um autêntico amante do rock que sou, eu nunca entendi a graça nesse gênero musical (sim, haters, me perdoem, mas mesmo a música que você não gosta também é “música”). As batidas são as mesmas, as letras são, quase que em sua totalidade, iguais nos assuntos que abordam – não há variedade artística nenhuma…e isso me incomoda. Por isso, não escuto.

Mas quando escalamos esse assunto para o ambito de negócios, o business do funk brasileiro (seja ele carioca, paulista, mineiro, gaúcho ou qualquer outro) mostra-se uma força econômica capaz de tudo o que os maiores empresários em outros ramos sonham em atingir: ter um público imediatamente cativado pelo que você faz, ganhando muito bem para isso.

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R.I.P: Michael Jackson | 1958-2009

michael_jackson_vma_japao_f_003Sou metaleiro e propenso amante do rock gótico. Nos meus idos 15 anos, usava maquiagem na cara e me enfiava na Galeria do Rock, no centro de São Paulo, um verdadeiro reduto para adolescentes matadores de aula como eu. Sendo assim, há quem pense que a morte do Rei do Pop, ocorrida nesta última quinta-feira (25/06/2009), por motivo de parada cardio-respiratória, nada significasse para mim.

Ledo engano. A grande verdade é que a figura que Michael Jackson representava para mim era algo que chamo de “Indiferença a um ícone”. Explico: MJ sempre esteve naquele cantinho, visível para mim e para o mundo. Eu sabia que ele estava ali e que dali ele não sairía. Não dava a mínima, mas sabia que , se olhasse para aquele canto, viria suas plásticas e escândalos de pedofilia eternizados em manchetes sensacionalistas.

APTOPIX People Michael Jackson

Agora que ele se foi, não posso evitar de sentir que algo está faltando. Não tenho mais aquela segurança de saber que aquele cara para quem não dava a mínima não está mais por perto. Michael Jackson morreu. Sua vida se acabou quando tinha 50 anos, idade incrivelmente tenra para quem fazia o que ele fazia. E agora?

Michael-Jackson

Agora, eu digo, me pego cantando mentalmente músicas dançantes como Thriller e Beat It. É, acho que a influência do cara não era pouca coisa. Se um doente do metal como eu conseguiu ficar abalado pela morte do eterno ícone, é porque o legado que o Rei do Pop tinha para com o mundo do entretenimento merecia o devido respeito por todas as vertentes da música, mesmo aquelas que mais o repudiavam.

Adeus, Michael, sua falta será sentida.

Mamonas Assassinas: já fazem 13 anos, é?

Foi em 1996. Eu tinha 9 anos e não existia no coração a mínima pretensão de ser jornalista. Na ocasião, acordei umas oito ou nove da manhã – horário padrão para quem estudava à tarde em colégio de freira. Pensei que meu pai estava, como de costume, tirando um sarro da minha cara quando disse que “o avião dos caras caiu na Zona Norte”. Só depois de uma hora, mais ou menos, é que vi a notícia do SBT.

mamonas_assasinasHoje tenho a noção do impacto que a morte dos Mamonas Assassinas, grupo musical dos anos 90 que fez fama com letras de duplo sentido, causou no país. Para se ter uma idéia, a Globo, o SBT e a Record pararam a programação diária para abordar todo e qualquer detalhe que tivesse relação com o incidente – o qual hoje sabemos se tratar de burrice do piloto, que ignorou o procedimento padrão e resolveu dar de cara com a Serra da Cantareira. Todos os ocupantes morreram, e a (curta) vida do vocalista Dinho (Alecsander Alves), do guitarrista Bento (Humberto Hinoto), do tecladista Júlio Rasec (Júlio César, cujo segundo nome foi posto de trás para frente) e dos irmãos Sérgio Reoli (Sérgio Reis de Oliveira) e Samuel Reoli (Samuel Reis de Oliveira), respectivamente baixista e baterista da banda.

Os Mamonas Assassinas conseguiram um recorde histórico na música: vender 1,8 milhão de cópias de seu único disco, NA PRIMEIRA SEMANA DE LANÇAMENTO. Nem mesmo a Sua Majestade, Roberto Carlos, conseguiu tamanho feito. A ascensão astronômica do grupo veio por causa das letras, em tom satírico e de óbvio duplo sentido, mas em uma abordagem mais infantil. Um verdadeiro sucesso da época em que CD era coisa de bacana e as memoráveis fitas K7, com seus problemas de enrolar fio e consertar com lápis (a fita enrolava,a música travava, você abria o aparelho, tirava a fita, colocava um lápis no buraquinho e girava pra voltar a funcionar…não me façam pensar que tô velho…), eram a moda do mercado fonográfico.

Se você que relembrar bons momentos, ou conhecer caso tenha menos que 13 aninhos, clique aqui.

Análise: Chinese Democracy

chinese-democracy

Sabe quando você entra em um restaurante, faz o seu pedido, e leva uma eternidade para que ele dê as caras na sua mesa? Seja pelo cozinheiro que fica ensebando lá atrás, seja pelo garçom que perdeu o papel com a anotação do seu pedido, é fato: todo brasileiro acaba na obrigação de esperar mais do que o necessário pelo seu almoço em um restaurante.

Foi assim com Guns ‘N Roses: em 24 de novembro de 2008, o álbum Chinese Democracy, popularmente conhecido como “o disco eternamente adiado”, veio a público. E não da forma mais convencional: as músicas vazaram na internet poucos dias antes do lançamento oficial. E não foi nenhuma “especialidade da casa”.

A grande verdade é que, depois de mais de uma década de espera, Axl Rose (hoje o único “Gun and Rose” do grupo) resolveu lançar o prato principal que todos nós desejávamos, e vejam só que surpresa, ele veio frio, sem gosto, sem sal, totalmente destemperado.

axl_rose2Chinese Democracy não é um disco ruim, ele só não é Guns ‘n Roses, e não, não digo isso por achar que seria como antigamente: Slash não quer ver Axl nem pintado, e ao lado de Duff e Matt, está ocupado demais tentando achar um novo vocalista para o Velvet Revolver (esse sim, um banco de quase cinquentões que pode dar certo). Não tem aquela alma, aquela vontade, aquela pegada hardcore que caracterizou Axl Rose, hoje com tererê no cabelo, como um dos mais influentes vocalistas do mundo.

Esperávamos um arrasa-quarteirão, mas ganhamos de Natal um disco que não consegue nem derrubar um tijolinho de praça em reforma. A constante troca de músicos, aliada à espera e todo o hype que o próprio Axl fez o desfavor de criar em cima do disco, contribuiu para que quem fosse mais chato (leia eu) caísse de braço, criticando um trabalho que não só poderia, mas deveria ter saído melhor.

O disco está até mesmo proibido de rodar na China, por motivos que não me cabem falar aqui. Pelo andar da carruagem, é seguro dizer que a espera ainda vai continuar…

Ouvindo: Yoñlu

O disco póstumo do jovem Yoñlu é simplesmente algo de outro mundo! Vinícius Gageiro Marques suicidou-se, na tenra idade de 16 anos. O fato se deu com o auxílio de internautas, através de um desses sites que proliferam pela internet, fazendo apologia à essa manobra letal, bem como anorexia, pedofilia, racismo e similares.

O menino se trancou no banheiro, pregando do lado de fora da porta um cartaz com os dizeres “Não entre: concentrações letais de monóxido de carbono”. Mas deixou um testamento sólido, perfeito, e musicalmente influente. As músicas ficam na cabeça por horas e horas a fio, e fazem você murmurar as letras sem perceber. Simplesmente dispensa qualquer comentário. A sonoridade das músicas de tom depressivo acabam envolvendo o ouvinte de uma forma que o deixa imerso dentro da mentalidade do próprio artista.

A melhor música do disco (uma mórbida ironia, diga-se de passagem) é Suicide Song.