Qual o tamanho do estrago da desinformação?

José Mentor (PT-SP), autor de projeto de Lei que visa banir o MMA

Pensa rápido: até onde vai o estrago causado pela desinformação de quem manda?

Essa é a pergunta que me fiz quando li aqui que deputado José Mentor, do PT de São Paulo (é, aquele da CPI do Banestado), autora um projeto de Lei que visa proibir exibições de “lutas não olímpicas consideradas violentas”, com punição de 150 mil reais para as emissoras – abertas ou fechadas – que descumprirem a norma e possível cassação à concessão de funcionamento (sair do ar, no bom pt-br).

Eu não preciso ser praticante do MMA pra dizer o quão boçal é o PL, uma vez que ele é fruto da mente de um homem que viu as duas únicas lutas exibidas pela Globo e comparou-as à “rinha de galo” (sério? RINHA DE GALO?). E é justamente nesse ponto que quero chegar com a pergunta que abre o texto: qual é o tamanho do estrago causado pela desinformação de quem manda?

Para me ajudar a responder à pergunta, chamei o jornalista d’O Globo, Gustavo “Guga” Noblat, que é um entusiasta do MMA como eu. Já adianto: o post vai ser meio grande.

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Cyberbulling = posicionamento de covardes sem argumento nem coragem

Estava eu lendo o G1 ainda há pouco uma matéria sobre Cyberbulling. Para quem não sabe, o termo classifica uma ação de agressão e/ou ameaça sofrida por um autor de determinado texto, em que o agressor geralmente utiliza o espaço de comentários ou qualquer outro ponto de interatividade com o espaço virtual. Casos famosos já aconteceram aqui mesmo, no Brasil que não desiste nunca: Rosana Hermann, jornalista presente na blogosfera já por uns 10 anos, conversou com um “cyberbully” após receber ameaças do tipo “sei aonde seus filhos estudam”. Resumindo a novela, o cara disse que queria ser como ela – algo simplesmente patético, que me perdoem os puristas.

Eu mesmo, e olha que não sou nenhuma Rosana Hermann, já passei por isso. Graças a Deus, quando posto determinadas coisas, conto com a burrice de certos leitores que não sabem interpretar minhas palavras. Aliás, se você estiver lendo isso, seu idiota, minha avó não mora em Mairiporã, tá? Outros dois casos famosos: o autor de novelas Aguinaldo Silva chegou a questionar em um post se valia a pena continuar com seu blog, coisa que ele não fez após ver que apesar dos cretinos agressores, fãs e amigos também acessam suas páginas. “Vou desistir do blog? Pra deixar esse bando de zé-ruelas felizes da vida? Mas nem morto!” foi uma resposta mais do que digna. Saída inversa tomou Michael Arrington, co-fundador do Techcrunch, o blog que ocupa o primeiro lugar em sites de relacionamento como Technorati e DiggIt, além de ser o terceiro mais lido do mundo. Depois de ameaças à segurança de sua família, além da própria, ele cansou: “Escrevemos sobre tecnologia e empreendedorismo. São coisas importantes, mas não tão importantes para nos fazerem temer pela nossa segurança e a de nossas famílias”, ele disse em seu post final. O blog continua, mas sem ele.

Segundo Erick Itakura, pesquisador do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica (PUC), o cyberbulling é definido como um comportamento agressivo e repetitivo adotado contra alguém no universo virtual, mesmo sem motivação aparente. “O blogueiro exerce o direito dele de liberdade de expressão. Mas muitos leitores se incomodam e acabam querendo impor outras verdades”, diz o homem. Em outras palavras, pessoas que tomam esse tipo de atitude são tocadas profundamente pelo texto que rebatem, mas têm problemas ao lidar com isso, sendo mais fácil agredir e ameaçar um ponto de vista diferente do que debatê-lo de forma educada e correta. Em suma, um cara que te xinga num comentário de post na verdade se caga de inveja porque você tem um espaço para dizer o que pensa, da forma como pensa, porque assim pensa e não vai mudar aquilo que pensa – e ele não. Como dizem, “pimenta no dos outros é refresco”. Para eles, é mais fácil caçar defeitos no autor, uma vez que é ele quem está dando a cara a tapa.

Sabe o que é mais gostoso disso tudo? Cyberbulling pode dar merda na Justiça. Leram isso, motherfuckers? Eu posso te botar na cadeia se você partir para a ignorância virtual se discordar de algo que escrevi. Em termos resumidos: a liberdade de expressão permite um debate, uma vez que isso é um incentivo à cultura e à distribuição e interpretação da informação – contanto que uma ofensa seja direcionada ao texto. Agora, se vierem para o lado pessoal, simplesmente repasse para um advogado. É tão fácil quanto andar para frente: rastreamento de IP, cadastro de e-mail por parte do adminitrador do blog…um sem-número de ferramentas que permitem achar o panava que foi até a lan house da esquina dó para falar que sua mãe pode sofrer um acidente ou coisa parecida.

Com base nisso, eu digo, em letra negritada, italicada, sublinhada e avermelhada: Bring it on, bitches! Que alguém se apresente e ameace a minha avó em sua casa inexistente de Mairiporã de novo!